sexta-feira, 11 de julho de 2014

A BR 287 e o impacto na vida dos animais silvestres


Fotografando um tatu atropelado na BR 287
Há algum tempo, enquanto ainda estava trabalhando na Universidade local, URI, criei um projeto que previa o levantamento da fauna atropelada em um trecho da BR 287. Naquela ocasião, realizamos uma "saída" e pudemos perceber a elevada quantidade de espécies que habitam os ecossistemas adjacentes à rodovia. Encontramos, numa manhã,  16 animais, sendo esses de 7 espécies diferentes. A ideia do projeto era, além desses levantamentos, mapear as áreas em que ocorria maior incidência de atropelamentos e, a partir dessa informação, realizar a instalação de painéis ou placas que indicassem o trânsito de animais silvestres com maior frequência. Essa estratégia serviria de alerta aos motoristas para que reduzissem velocidade afim de evitar atropelamentos e mortes. 

É bem notória a existência de pontos em que os atropelamentos são mais comuns. 
Tamanduá-mirim
Veado

Por exemplo, existe uma curva margeada por mata nativa em um trecho da BR 287, já no município de Unistalda, que por diversas vezes encontrei tamanduás mortos. Não foi uma nem duas vezes, foram várias e exatamente no mesmo local.
=
Outra questão prevista nesse projeto era a taxidermização dos animais encontrados em bom estado de conservação. Posteriormente, os espécimes coletados poderiam ser utilizados para realização de eventos anuais nas proximidades dessa BR, visando a conscientização dos motoristas e consequente conservação dessas espécies. Além disso, os animais taxidermizados poderiam ser utilizados em feiras em escolas, e na própria universidade, despertando o senso crítico dos alunos para essa problemática. 
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Infelizmente o projeto teve que parar por dois motivos: primeiro, por falta de incentivo; segundo, porque com a minha entrada no doutorado em Engenharia Florestal/UFSM, ficou inviável sua realização/continuidade.
=
Apesar de ter parado com o projeto, minha veia de bióloga sempre fala mais alto quando percorro qualquer rodovia. É impossível não perceber a quantidade de animais que perdem a vida enquanto atravessam de um lado a outro em busca por recursos.
Preá
Tenho percorrido semanalmente o trecho da BR 287 entre Santa Maria e Santiago. Durante o percurso observo uma gama considerável de animais silvestres atropelados e mortos: cachorros-do-mato, cachorros-do-campo, gambás, veados, roedores, porcos-espinho, gatos-do-mato...É uma lástima ver o quanto esses atropelamentos tem impactado a vida dessas espécies e, consequentemente, alterado a cadeia trófica da qual esses animais fazem parte.
=
Ontem no início da noite, enquanto fazia esse trajeto,  na localidade de Chapadão deparei-me com um gato-do-mato.  Não resisti, dei  meia volta e fui ver de perto.  Percebi que recém havia sido atropelado pois, apesar de morto, ainda estava quente. Imediatamente lembrei-me de uma amiga da UFRGS que realiza estudos de mapeamento genético de gatos-do-mato encontrados na nossa região. Procurei algo em que pudesse envolver o animal. Na camionete não encontrei nenhum saco plástico, apenas um papel alumínio deixado por engano dias atrás. Envolvi o animal e o trouxe comigo.  Como ela possui licença do IBAMA para coletar e pesquisar esses animais, resolvi contribuir de alguma forma com a sua pesquisa. 

Acredito que esse gato seja o Leopardus Wiedii ,apesar de
 que ainda não tenho certeza porque as características 
que o diferem do Leopardus tigrinus não puderam 
ser visualizadas adequadamente devido a 
danos sofridos na cabeça do animal.
=
Infelizmente, além dos atropelamentos, essas espécies de gatos selvagens sofrem pela disputa de territórios com os humanos em decorrência da exploração antrópica que invade e reduz as áreas de vida desses animais. Com isso, esses acabam por serem perseguidos e mortos por atacar criações. Foi esse o motivo que levou a aniquilação das onças-pintadas que existiam nas florestas de Mata Atlântica aqui em Jaguari. 
Gato-do-mato (Leopardus Wieddi)
Espero que o mesmo não ocorra com essas espécies de gatos-do-mato que ainda restam ao nosso redor.   







A conservação dessas espécies silvestres passa pela promoção dessas pesquisas aliada a desmistificação de que esses animais oferecem riscos aos humanos. 

sábado, 7 de junho de 2014

Desmatamento nos remanescentes da Mata Atlântica voltou a crescer de 2012 a 2013

Área de remanescentes da Mata Atlântica localizados no Distrito Ernesto Alves, Santiago, RS. Foto: Lizi Mello
Dia 27 de maio, a SOS Mata Atlântica divulgou novos dados sobre índices de desmatamento dos remanescentes do Bioma Mata Atlântica, referente ao período de 2012 a 2013.

Considerando-se dados totais, os índices voltaram a crescer, constituindo-se nos maiores desde 2008. Além disso, em relação ao último período analisado (2011-2012) ocorreu um aumento de 1.971 ha desmatadas: 21.977 para 23.948.

Como já era de se esperar, dos 14 estados que tiveram suas áreas de remanescentes florestais da Mata Atlântica analisados (nem todos os 17 estados puderam ser analisados em função das nuvens encobrirem determinadas áreas da imagem do satélite Landsat) apenas 5 tiveram redução de áreas desmatadas quando comparadas em relação ao período de 2011 e 2012.

O Estado do Piauí e Mato Grosso do Sul demonstraram os dados mais alarmantes: No Piauí, de 2.658 de áreas desmatadas existentes no período de 2011-2012 ocorreu um aumento para 6.633 ha de 2012 a 2013, ou seja, um acréscimo de 3.975 ha em apenas um ano de intervalo. Já Mato Grosso do Sul, a alteração foi de 49 ha para 568 ha de remanescentes desmatados, obtendo-se um aumento de 519 ha. O Estado do RS também não ficou para trás: de 99 ha desmatadas no período de 2011 a 2012 passou para 142 ha de 2012 a 2013. 

Apesar do estado de Minas Gerais ainda ser o campeão em desmatamento (8.437 ha de 2012-2013), ocorreu diminuição nesse montante quando considerado o período de 2011-2012 (10.752). Isso teria ocorrido em função da criação de uma força tarefa para reprimir ações de desmatamento em Minas Gerais.

Conforme informado, esses aumentos de áreas desmatadas decorre de altas taxas de conversão em prol da agricultura, já que os índices nessa classe de uso elevou-se consideravelmente no mesmo período em que áreas de remanescentes foram suprimidas. 

Já quanto aos Estados que reduziram suas áreas, como São Paulo e Rio de Janeiro, ressalva-se a necessidade de se atentar para os chamados desmatamentos "efeito formiga". Ocorre que nessas supressões, as áreas desmatadas são menores que 3 ha devido ao espraiamento de áreas urbanas. Como esse tamanho não é detectado de modo eficaz pelas imagens de satélite utilizadas nos levantamentos, muitas áreas desmatadas podem estar sendo  subestimadas nesses estados.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
- See more at: http://www.sosma.org.br/17811/divulgados-novos-dados-sobre-o-desmatamento-da-mata-atlantica/#sthash.9gcJdu0N.dpuf
O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
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Para mais informações sobre dados de desmatamentos nos remanescentes da Mata Atlântica, pode-se consultar SOS Mata Altlântica
O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):
- See more at: http://www.sosma.org.br/17811/divulgados-novos-dados-sobre-o-desmatamento-da-mata-atlantica/#sthash.9gcJdu0N.dpuf
O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
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O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):
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O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):
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O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):
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segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de março de 2014: 50 anos da impunidade de torturadores!


charge do blog:http://latuffcartoons.wordpress.com/tag/ditadura-militar/


Charge do blog:http://latuffcartoons.wordpress.com/tag/ditadura-militar/
Hoje, enquanto saía do Restaurante Universitário da UFSM, chamou-me a atenção um grupo de jovens ajoelhados e com uma bacia cheia de água em suas frentes. Fiquei observando o que estavam fazendo: mergulhavam suas cabeças na água e permaneciam algum tempo nesse estado. Quando não mais aguentavam, levantavam suas cabeças e tossiam muito devido ao sufocamento. No início fiquei meio chocada ao ver aquilo. Depois, dei-me conta que tudo não passava de uma encenação pois hoje comemora-se os 50 anos do golpe da Ditadura Militar. Muitos jovens que almoçam no RU ficaram sem entender e se entreolhavam abismados. Percebi que, talvez, muitos daqueles nem saibam direito o que foi a Ditadura, o que de fato aconteceu. Achei a encenação um jeito bem inusitado de relembrar e demonstrar uma parcela ínfima do que muitos torturados passaram. É claro que nem de longe expressaram o que muitos brasileiros enfrentaram simplesmente por discordar e tentar expressar o que pensavam. Felizmente, os tempos hoje são outros, tempos em que o proibido é proibir; que o legal é discutir, pensar diferente, ter opinião.
Por outro lado, o fato de vivermos numa democracia não é motivo para esquecermos tudo o que foi a Ditadura. Não é justo para com os torturados e suas famílias que continuam sem respostas, sem nem mesmo saber o que aconteceu com pessoas que continuam desaparecidas. Todos merecemos essas respostas; merecemos que os culpados/torturadores sejam punidos ainda em vida. Que eles não tenham mais o direito de continuar, em silêncio, orgulhosos, vangloriando-se por todo o mal que praticaram. Não me parece justo que continuem levando suas vidas normalmente, com seus exorbitantes salários, enquanto mães ainda choram por sequer saberem onde seus filhos estão enterrados.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Aquecimento ou resfriamento global?

Existem diferentes especulações acerca da existência do Aquecimento Global. Enquanto alguns cientistas argumentam que ele realmente está ocorrendo, outros asseveram que tudo não passa de uma "armação", que os atuais índices demonstram um processo cíclico e, que, aliás, a terra tem caminhado para seu resfriamento. 

Particularmente, baseado nas leituras que já fiz, quero crer que o Aquecimento Global está ocorrendo e que os atuais índices de emissão de gases têm contribuído para a intensificação do efeito estufa. Não há como desconsiderar esses fatores...seria como negar a existência de buraco na camada de ozônio e os problemas decorrentes, como índices de cânceres de pele. Porém, não quero me envolver em conflitos, deixo isso para os cientistas. Prefiro apenas ler e tentar encontrar pontos válidos nos dois lados discursivos. 

Numa dessas minhas leituras, observei que o Relatório "Estado do Clima", divulgado no mês de agosto pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) dos Estados Unidos, apontou o ano de 2012 como um dos mais quentes desde o início dos monitoramentos, que ocorrem há mais de um século. 

Alguns indicadores climáticos, como aumento contínuo nos níveis de CO², Oxido Nitroso e Metano, além de aumento no nível dos oceanos, degelo de calotas no Ártico e extensão de gelos desprendidos, servem de base para esses resultados. 

O que precisa ser compreendido é que, se estações de monitoramento, instaladas em mar, céu, gelo e terra, têm gerado esses dados é porque realmente mudanças estão ocorrendo. Se são cíclicas ou não, isso é o que menos interessa. Para as espécies, inclusive a humana, essas modificações terão impactos. Quem nunca ouviu falar em Era Glacial e consequente extinção de espécies? Se o planeta Terra caminha para um Aquecimento ou Resfriamento Global, existirão consequências para todos. Esse é o fato!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Desaparecimento de borboletas: dívida de extinção?

Notícias recentes divulgam que as borboletas estão sumindo dos campos europeus. Pesquisadores estão assustados com essa constatação visto que as lepidópteras possuem um importante papel no ambiente, especialmente por contribuírem com a polinização das plantas. É graças a elas que inúmeras plantas conseguem se reproduzir e se perpetuar ao longo dos tempos...
Esse fato me chamou atenção porque, há algum tempo, estudei sobre a ocorrência de um fenômeno chamado dívida de extinção. Segundo esse, a fragmentação ou perdas de hábitat acarretarão, no futuro, uma perda (extinção) considerável de espécies. A dívida de extinção, como o próprio nome já diz, é uma dívida, um preço a ser pago mais tarde. Ela explica o motivo das espécies ainda continuarem existindo mesmo após a perda de áreas onde essas ocorriam. 

O desaparecimento das borboletas pode representar uma resposta às perdas de áreas de campo que ocorrem também na Europa. Pode ser que a dívida esteja começando a ser paga. 

 No entanto, essa é apenas uma especulação que hora proponho diante das leituras que realizei sobre a dívida de extinção. O mais provável e, alíás, o que está sendo levantado pelos estudiosos, é que o desaparecimento das borboletas esteja relacionado com o uso de defensivos químicos utilizados em plantações. As borboletas, ao retirarem o pólen de florações, acabam contaminadas. 

Processo semelhante ocorre com as abelhas que têm sumido sem deixar rastros. Após muitos estudos, pesquisadores parecem ter descoberto que um vírus pode estar afetando o código genético das abelhas e desencadeando a dizimação de enxames inteiros. Esse colapso já ocorreu em cerca de 10 países e continua se alastrando. Além disso, pesquisas demonstraram que pode existir associação desse vírus com a presença do fungo Nosema ceranae, que também demonstrou efeitos de desordens sobre as colônias. Pesquisas também demonstraram relação entre a maior suscetibilidade de contágio por esse parasita quando existe exposição a defensivos agrícolas. 

É provável que se descubra que o declínio das populações de borboletas esteja associado a contaminação por pesticidas, já que as plantas visitadas por abelhas e borboletas podem contê-los. 

De qualquer forma, especialmente para o caso das borboletas, começo a questionar se não seria o fenômeno da dívida de extinção começando a sua cobrança? Será que o desaparecimento desses espécimens não será o início do declínio de populações inteiras e, consequente, extinção de espécies devido perda de seus habitats? Vamos aguardar o transcorrer das pesquisas...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A triste realidade dos catadores de Santiago!

Na semana passada, estive envolvida com levantamentos e providência de documentos para encaminhamento do licenciamento ambiental da ARPES. Para quem desconhece, a ARPES é uma associação de catadores de resíduos sólidos urbanos de Santiago.

Eu poderia acabar meu trabalho, após providenciar todos os itens necessários a um licenciamento, e dormir descansada, afinal, cumpri com minhas obrigações. Mas não estou conseguindo.

Conheci a realidade deles e quero deixar alguns números para os leitores de Santiago.


A Associação é formada por 15 integrantes. Todos os dias, 5 desses saem às ruas com seus "carrinhos" para catar, em lixeiras distribuídas pela cidade, resíduos sólidos. Eles recolhem papelões, plásticos variados (principalmente Pet's), latinhas, caixas, vidros e sucatas. Próximo do meio dia retornam ao prédio, local cedido pela prefeitura no Distrito Industrial. Essa rotina é diária e ocorre uma vez pela manhã e outra pela tarde.


Enquanto isso, 10 outros associados ficam no galpão separando, classificando e prensando todos os resíduos coletados na rua.

Isso ocorre das 8:00 às 11:30 e das 13:30 às 18:00, todos os dias.


Uma vez ao mês, uma empresa de Santa Maria recolhe e compra os RSU selecionados e classificados pela ARPES.


O que mais chama a atenção nesse processo todo é o valor que conseguem lucrar por mês com essas atividades. No mês de junho, para se ter uma ideia, o valor total conseguido com a venda foi R$2.800,00. Ou seja, cada um dos 15 associados ganhou por seu trabalho mensal R$186,00.

Alguém já imaginou trabalhar diariamente e receber somente isso?

Os integrantes da ARPES aceitam essa condição. E nem por isso eles pensam em desistir ou ficam se queixando. Continuam coletando e selecionando nossos resíduos sem ficar implorando por ajuda.

Decidi escrever para solicitar ajuda dos leitores a essas pessoas. Calma, não vou pedir que doem dinheiro a eles...
...o que eu quero é algo muito simples, tão simples que eu mesma (bióloga e, em tese, consciente), por diversas vezes, deixei de fazer: colocar o lixo seco em um recipiente separado. Pronto, só isso! 

Não precisa  ter duas lixeiras na cozinha. Usem sacolas plásticas para pôr papelões, garrafas Pet's, latinhas, caixinhas de leite, caixinhas de pizza, jornais velhos. Não precisa levar até o local onde os catadores fazem a separação e classificação. Apenas depositem em suas lixeiras que todos os dias, antes das 8 horas, eles realizam o recolhimento. 

Não estou pedindo isso pelo meio ambiente. Escrevo e peço, insistentemente, em nome dos inúmeros catadores que sobrevivem disso e ganham menos de 200 reais por mês. Estou pedindo pelas pessoas, por esses seres humanos. 

Infelizmente, a maior parte da população santiaguense não reconhece que o trabalho dos catadores é um favor a todos nós; a população está pouco se importando com o meio ambiente; somos todos preguiçosos por achar mais cômodo jogar todo o lixo numa mesma lixeira...

Eu tive a oportunidade de conhecer a realidade desses trabalhadores. Espero que alguns leitores entendam minha angústia e resolvam somar para que esses catadores consigam um lucro maior no final do mês. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ameba assassina volta a atacar

A Naegleria fowleri é uma ameba que foi conhecida ainda nos anos 60, tendo sido descrita por M. Fowler.
Naegleria fowleri, a ameba assassina.

Recentemente, ela voltou à cena fazendo novas vítimas. Essa perigosa ameba entra no corpo humano pelo nariz, ao ser aspirada, segue diretamente para o cérebro, perfura e suga os neurônios.   



Alguns estudos dizem que ela não devora o cérebro e sim, gera uma infecção que acaba degenerando-o. O nome dessa doença é meningoencefalite amebiana primária. É a única espécie de Naegleria que causa patologias em humanos.
Modo de infecção pela ameba. 



Ameba agindo nos neurônios, sugando e
degenerando-os.
O complicado é que desde que foi descoberta, ninguém encontrou um meio de detê-la. Não existe cura até o momento, levando à morte num período de 5 a 14 dias. 

Lago interditado pela morte de crianças nos EUA


O hábitat preferido da ameba Naegleria fowleri são locais com águas quentes e paradas, como lagos, águas termais, represas e piscinas sem cuidados. Apesar de não ser comum a ocorrência, a perspectiva é que, com as mudanças climáticas e presença do aquecimento global, ela se espalhe mais facilmente gerando mais vítimas fatais.



No Paquistão, há anos essa ameba acarreta a morte de diversas pessoas, inclusive de algumas que não haviam nadado em locais habitados por ela. Isso indica que as vítimas tiveram contato por meio da água da torneira ao irrigarem o nariz com água contaminada.
Irrigação nasal

Pelo que se sabe, a ameba já atacou em várias partes do mundo. Os EUA  é o país onde mais casos foram divulgados, sendo que neste ano cerca de 6 pessoas já vieram a óbito em decorrência dessa. Os sintomas são muito parecidos com os da meningite, o que acaba mascarando alguns casos. Dores no pescoço e cabeça, rigidez na nuca, febre e alucinações são os mais comuns. Os maiores afetados são crianças e adolescentes que costumam nadar nos habitats dessa ameba. 

Aqui, na região sul do Brasil, tenho certeza que ninguém entrará em lagos nesse período de inverno, até porque a água estará fria e a ameba não resiste nesse clima. 

No entanto, acredita-se que nos demais estados do Brasil, onde o clima está quente e a exposição das pessoas é comum nessas áreas de riscos, os focos poderão surgir. Até onde se sabe, a Naegleria fowleri existe no Brasil, porém, não existem registros da doença e de vítimas. Particularmente, acredito que mortes já tenham ocorrido aqui no Brasil em decorrência do contato com essa ameba. Não devem ter recebido a autópsia adequadamente visto que os sintomas  são similares ao de outras doenças, como a meningite. Como nos EUA o primeiro caso diagnosticado ocorreu em 1962 na Florida, hoje possuem plena capacidade de perceber e diferenciar os sintomas. Para se ter uma dimensão, investigações em arquivos de autópsias identificaram um caso dessa doença na Virgínia ainda em 1937. 

De qualquer maneira, o melhor é prevenir e evitar esses locais, pelo menos até conseguirem estudar melhor essa ameba e descobrir uma cura. Pessoalmente, penso ser difícil de achar uma cura para os ataques dessa ameba em curto espaço de tempo. Reflitam: ela foi descrita ainda na década de 60; ficou fora de atuação por um tempo mas voltou a infectar fazendo mais de 50 vítimas de 1995 a 2011 só nos EUA, além de inúmeras outras no Paquistão. Agora, retorna novamente à ativa. Concluo: se não ouve tempo suficiente para que os cientistas estudassem e produzissem um antídoto durante todo esse tempo, não creio que essa cura será encontrada tão rapidamente. Isso parece ser fato, especialmente quando se considera que nos EUA existem muitos investimentos em saúde curativa. Se houvesse realmente interesse, cientistas desse país já teriam encontrado um tratamento para essa doença. 

Por tudo, o mais sensato é prevenir.

Quem quiser mais informações pode acessar o site do CDC - Center for Disease and Prevention e acessar diversos artigos científicos sobre a Naegleria fowleri.