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| Eu e minha árvore predileta: paineira. Essa localiza-se no interior de Maçambará. |
Ontem, foi o dia da árvore. Não senti vontade de tecer qualquer comentário a respeito. É tanta hipocrisia de nossa parte que a motivação para escrever sobre árvores não apareceu.
Por outro lado, sinto-me no dever de trazer esta questão das árvores para o dia a dia de nossa cidade.
Não vou começar falando do quanto as árvores são lindas, verdes, frondosas e dos benefícios que geram. No fundo, todos conhecemos a importância das árvores ou de tudo que é verde no ambiente.
Também não vou falar da fotossíntese, nem do embelezamento que essas transferem às paisagens.
Vou começar expondo que aqui, em Santiago, os munícipes só lembram dessas vantagens quando o dia está abafado e procuram por uma sombra para sentar ou estacionar seus carros. Ou então, quando suas casas são destelhadas por ventos fortes e lembram que as árvores podem funcionar como quebraventos...
Teço estes comentários para expor uma percepção que venho tendo a algum tempo.
Quando trabalhei na Prefeitura de Santiago (2006-2007) e, respondia pelo Departamento de Meio Ambiente, tentava a todo custo, desmotivar pedidos de corte ou podas de árvores, localizadas no passeio público. Fazia campanhas para que as pessoas aceitassem plantar mudas em seus terrenos ou em frente suas casas.
No entanto, se após discutir e argumentar acerca da necessidade das árvores eu não conseguisse apresentar uma alternativa para o "problema" gerado pela árvore em questão, simplesmente, concedia a licença para poda ou corte.
Essa prática que parece ser a menos aconselhável, no meu ver, não o é. Ao mesmo tempo em que concedia as licenças, o próprio solicitante demonstrava interesse em repor outra árvore (mais adequada e preferencialmente nativa) no local. Naquela época, por meio dessa estratégia, incentivamos e plantamos uma quantidade considerável de árvores em frente às residências, todas com consentimento dos moradores.
Hoje em dia, os motivos para pedidos de corte são os mesmos de antes: raízes que destróem calçadas; frutos e folhas que sujam, mancham os passeios públicos e entopem calhas; galhos que crescem desordenadamente e afetam construções; alergias, etc...
Mas, por que observo que a maioria dos munícipes, hoje, não está interessada em plantar árvores?
Eu acredito que sejam dois os principais motivos:
1º Como não existe planejamento, a população tem receio de plantar uma muda que, no futuro, gere mais problemas do que benefícios.
2º Existe grande dificuldade em se conseguir licença para corte, se este se fizer necessário.
A partir das queixas de diversos cidadãos, compreendi que se as licenças, para corte dessas "problemáticas" árvores fossem conseguidas com mais facilidade, a iniciativa em plantar novas mudas voltaria a existir.
E o mais importante: esta iniciativa de plantio deveria ser acompanhada por pessoal técnico qualificado capazes de avaliar a espécie adequada para cada local, assim como a maneira correta para plantio ou poda.
É urgente a necessidade de revisão de tudo o que vem sendo praticado em termos de políticas de plantio e manutenção de arbóreas na nossa área urbana santiaguense. Uma dessas revisões passa por questões do tipo: por que manter árvores exóticas ou aquelas que foram plantadas sem critérios e que hoje tornaram-se problemáticas?
Deve existir bom-senso e democracia para que, naturalmente, a população volte a ter desejo de plantar e cuidar das árvores. Isso passa pela não obrigação de manter algo que não está condizente com o desejado em frente das residências. Às vezes, é necessário dar liberdade para que as regras sejam harmonicamente aceitas.
Por outro lado, seríamos hipócritas ao subestimar que inúmeras espécimens arbóreas morrem (aparentemente sem causas) mesmo após ter sido negada a licença para supressão.
Acredito que se as licenças forem mais flexíveis e aliadas a um processo de diálogo fraterno, muitos munícipes desistirão da supressão. Sendo inevitável o corte, sentirão confiança para substituir a árvore suprimida por outra mais adequada.
Aliado a isso, o planejamento a partir de critérios técnicos, poderá contribuir para resolver problemas e incentivar o plantio de arbóreas em nossas ruas.
Quem sabe um dia chegaremos perto da nossa capital Porto Alegre, reconhecida por ostentar um dos maiores índices verdes do mundo: uma árvore para cada cidadão portoalegrense.



