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| foto:ecovila |
Apesar deste assunto andar meio fora das “rodas de conversa”, esta é uma reflexão que devia ser melhor discutida. Especialmente quando pesquisas recém saídas do “forno” clarificam que a crise financeira de 2008/2009 contribuiu, indiretamente, para este incremento.
Falando em emissões e mudanças climáticas, ocorre nestes dias em Durban, Africa do Sul, a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Seu propósito é discutir os avanços na redução de gases intensificadores do efeito estufa, tentar uma “renovação” do Protocolo de Kyoto e compor metas mais complexas a serem estabelecidas a partir de 2013. O propósito do Protocolo de Kyoto era fazer com que os países vinculados reduzissem em, no mínimo, 5% suas emissões de dióxido de carbono (CO²), óxido nitroso (N²O), metano (CH4), hexafluoreto de enxofre (SF6), hidrocarbonetos fluorados e perfluorados (HFC e PFC). Provavelmente, mudanças neste "novo" Tratado irão tentar deter artimanhas utilizadas por indústrias poluidoras, que deveriam emitir menos gases mas não o fazem. Estas, para manter suas produções altamente poluentes, migram para países onde a cobrança pela redução de emissões não é elevada.
Voltando aos dados da pesquisa, observa-se que um dos fatores analisados e que motivam a elevação desse montante de CO² (gerado pós crise financeira), foi o aumento da produção de cimento.
A forte demanda por cimento requerida pelas intensas construções pode ser visualizada, por exemplo, aqui no RS. O Estado está um canteiro de obras, com edifícios, casas e condomínios sendo construídos como nunca se presenciou antes (eu, pelo menos, nunca!).
E isso, por um lado, é muito salutar.
As políticas públicas que priorizam o acesso a casa própria por meio de Programas do governo federal é uma resposta, há tempos, aguardada por uma classe média que, até então, morava de aluguel. Hoje, por meio de financiamentos com juros reduzidos e pré-fixados, qualquer trabalhador consegue ou adquirir um imóvel ou recursos para construir.
Também não se pode esquecer dos inúmeros conjuntos habitacionais para famílias de baixa renda, plataforma governamental básica de qualquer político que almeje chegar a uma prefeitura.
Até aí tudo ótimo. Particularmente, sou extremamente a favor desses tipos de investimentos, onde os trabalhadores ganham o direito de morar dignamente.
Mas, como a boa dialética ensina, existe outro lado. E este se relaciona com o incremento de CO² atmosférico, ocasionado, dentre outros fatores, pela intensificação da demanda por cimento, imprescindível às construções.
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| foto:greats |
O que fazer então? Parar de construir?
Claro que não, não se pode ser adepto do “está com dor de cabeça, corte-a”.
Neste momento cabe recordar um dos propósitos do Protocolo de Kyoto: necessidade de se criar políticas nacionais de redução das emissões no que tange, por exemplo, aumento da eficiência energética.
A utilização de estratégias que reduzem gastos energéticos, seja por meio de utilização de materiais ecologicamente corretos ou por soluções de geração energética a partir de fontes renováveis, podem ser requisitos irrefutáveis adotados por quem pretende construir. Tais alternativas deveriam ser incrementadas e estendidas também aos conjuntos habitacionais populares e residenciais, construídos para serem financiados por Programas Sociais.
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| foto: imóveissustentaveis. |
Incentivos a pesquisas, como a que se realiza na UFRJ, a partir do desenvolvimento de um cimento ecológico capaz de reter moléculas de CO² atmosférico, necessitam ser mais contundentemente realizadas em outras instituições. Essas e outras pesquisas, capazes de criar meios de produção de cimento com menor potencial poluidor, utilização de resíduos ou materiais reciclados para produção de tijolos e/ou "colantes", devem ocorrer em grande escala e não permanecer em fases experimentais e/ou restritos aos que possuem poder aquisitivo para pagar.
Enfim, políticos e profissionais, mestres na arte de construir (casas e discursos), preciam aliar seus conhecimentos na busca de alternativas, não somente para os problemas sociais que afligem às populações, mas também para os problemas ambientais que agridem o planeta.


